
Diferente da ideologia esquerdista, sempre tive um pé atrás com relação ao som punk do The Clash. Talvez porque a mistureba de rock+punk+ska+dub+reggae nunca conseguiram destruir a minha barreira pré-adolescente preconceituosa… Ou talvez porque os Sex Pistols e Ramones resolviam a questão dos três acordes, muito satisfatoriamente, para para mim.
Mas uma imagem que nunca saiu da minha cabeça, quando penso em punk rock, é justamente a do baixista Paul Simonon, na foto feita por Pennie Smith, detonando seu contrabaixo. Essa imagem é de um vigor visceral tão grande que virou a imagem de uma época, de uma geração.

Recentemente tive meu momento de redenção pelo The Clash. Resolvi escutar o álbum Live At The Shea Stadium, gravado em 1982, onde o Clash era a banda de abertura do The Who em Nova Iorque, em um show para 50 mil pessoas, e fiquei de queixo caído com a energia das músicas. Ao vivo a banda mostra um poder de fogo descomunal e transforma musicas que em estúdio soam limpas demais em energicas pancadas rock ‘n Roll. Musicas como London Calling, Police On My Back, Tommy Gun, Spanish Bombs e a minha preferida, o reggae transformado em reggae-rock, The Guns Of Brixton com o baixista Paul Simonon cantando com a voz mais chapada que de costume. Essa música, por sinal, tem sua versão definitiva ao vivo uma vez que na versão de estúdio ela não tem o mesmo poder de fogo e é executada em rotação bem mais lenta. Ficou parecendo uma espoleta perto do estompido que está registrado no cd ao vivo.

Só me resta imaginar que Roger Daltrey e Pete Townshend devem ter rodado muito microfone e pulado o mais alto que conseguiram para manter a energia dos nova-iorquinos em alta naquele 13 de outubro de 1982 depois que o Clash saiu do palco.
Pena que eu não estava lá…